Delírio


Naquele entardecer estava sentado em minha velha cadeira na varando, o pôr-do-sol era um dos mais lindos que já havia visto. Jamais irei me esquecer daquele forasteiro muito suspeito andando para o norte, há muito tempo ninguém subia a velha montanha, lembro-me bem que meu cão fiel latiu para mim e depois caminho fielmente ao lado do desconhecido.
Confesso que fiquei com muita inveja porque ninguém havia subido a montanha a noite, foi ai que fiz a melhor e pior escolha de toda a minha vida. Entrei em casa peguei a velha jaqueta, os cigarros e o pouco de conhaque que tinha, calcei os coturnos e apanhei meu revolver e fui atrás do forasteiro.
A noite chegou e com ela coisas estranhas começaram, coisas que o diabo não tem coragem de fazer, ele si quer pronunciar para si mesmo, lá pelas AM 03:03 fui descoberto então uma caçada começou, corri mais que minha pernas aguentaram estava totalmente perdido era só mato e vultos, escutei meu cão latindo atrás de mim, virei-me para pega-lo quando ele me atacou fui obrigado a sacrifica-lo e agora só tinha onze munições.
Aquele cara havia feito algo de ruim para o único que sempre esteve comigo e agora era eu ou ele. Respirei fundo deixando todo o ar da floresta percorrer meu corpo, situei minha mente, memorizei todas as trilhas. Cacei o forasteiro como o lobo caça um cordeiro, sentia a presença de algo me vigiando mais não havia nada.
Eram AM 03:33 já estava meio cansado e atordoado como podia um desconhecido conhecer tão bem a montanha, então escutei um sussurro em meu ouvido esquerdo e dei dois disparos então escutei a mesma voz dizendo ‘que jamais o pegaria’, gritei ‘que o covarde devia aparecer’ e atirei para o alto.
Senti um cheiro forte e fui a traz, eram AM 04:00 e me deparei com o desconhecido não dava de ver o seu rosto que se misturava com a escuridão da noite. Ele me disse ‘você pode ir fumar em paz na varanda sem contar de hoje ou pode deixar seu cigarro cair no chão junto ao seu corpo’. Respondi apontando meu revolve para sua cabeça então ele disse atire, atire dei dois tiros em seus miolos, meu revolve havia descarregado não dei bola com dois tiros na cabeça ninguém sobrevive carreguei minha arma, e fui olhar para o cadáver do forasteiro em quanto erguia minha cabeça senti algo do meu lado direito que de leve ia pegando o revolve e em meu ouvido disse ‘eu lhe avisei que era para ir o mais rápido possível’ ele fez quatro disparos para o nada quando cai em mim e gritei o revolve caiu no chão então cai de joelhos pedindo pro nada que diabos era aquele homem que não morria, aquela voz me falou ‘que era bem pior que o diabo e que só havia um jeito de se livrar-me dele e o jeito era morrendo’.
Olhei para frente e lá estava ele, o resto dele era uma caveira e nos olhos eu via a alma isso me arrepiou, mas mesmo assim com a minha dignidade falei que não deixaria ser morto e gastei minhas duas ultimas munições naquele desgraçado.
Ele me disse ‘que nunca havia encontrado alguém disposto a lutar ate o fim mesmo sabendo que morreriam de qualquer jeito, todos morrem’. Então apaguei é um espaço vazio na minha cabeça sei que me encontraram no inicio da montanha no amanhecer, e todos acham que é delírio meu, mas eu sei que não é.
Gabriely Simas

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